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Objetivando a implantação de uma política inclusiva mais efetiva e a implementação e o aperfeiçoamento de nossas ações e procedimentos, de modo a criar uma rotina mais eficiente e eficaz que favoreça o monitoramento, o atendimento às demandas e o planejamento de investimentos e ações relacionadas à acessibilidade e inclusão, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), tem previstas, para o início desse ano, as seguintes ações:

  • Assim como ocorreu no início do ano passado, solicitaremos que os estudantes ingressantes que assinalaram ter mobilidade reduzida e/ou algum tipo de deficiência, no questionário de início de ano, sejam chamados, pelos NAEs, para a realização de entrevistas.
  • Concomitantemente, convidaremos esses estudantes para preencherem um breve questionário acerca de suas necessidades educativas especiais, acessando um link em nossa página. Inclusive, em breve, teremos em nossa página, uma aba, na qual reportagens, textos acadêmicos e informações acerca de acessibilidade e inclusão poderão ser acessadas. Além disso, pretendemos convidar esses estudantes (entre outros) para participarem de uma roda de conversa (Papo Inclusivo), a serem organizadas e realizadas em cada um de nossos campi. Nelas serão debatidas dificuldades e possibilidades de resolução relacionadas à acessibilidade e inclusão, além de servirem como uma prévia aos debates a serem realizados no evento “Universidade para Todos”, previsto para o final do mês de maio.
  • Ainda como ação prevista, através de um questionário a ser elaborado, temos a intenção de identificar, os motivos pelos quais, estudantes com mobilidade reduzida e/ou algum tipo de deficiência tem se evadido.

Ressaltamos que o êxito e a efetividade das ações acima referidas, dependem da coparticipação e corresponsabilização de toda a comunidade UNIFESP, para construirmos, juntos, uma Universidade mais acessível e inclusiva.

Uma Universidade para todos(as).

São Paulo 18 de fevereiro de 2016


Partindo do pressuposto que a inclusão é uma mútua adaptação, das sociedades e dos indivíduos diretamente e indiretamente envolvidos, pode-se apreender que todos nós somos corresponsáveis pela universalização das informações, dos espaços e do acesso ao estudo, ao trabalho e ao lazer. Independentemente do curso, da profissão, do cargo, da condição e/ou função na universidade, somos parte dessa construção.
Desse modo, as rodas de conversa papo Inclusivo foram realizadas em todos os 6 campi da UNIFESP e contaram com a participação de toda a comunidade. Entre outras, algumas das demandas e projetos apresentados foram os seguintes:

  • Projeto de transformar o site da UNIFESP acessível para pessoas com deficiência auditiva.
  • Projeto relacionado à produção de tecnologias assistivas, economicamente acessíveis ao público em geral.
  • Projeto de sensibilização dos estudantes sem deficiência, em relação à questão da acessibilidade e inclusão.
  • Projeto de um regimento para as bibliotecas e de dicionário de Libras.
  • Necessidade de transformar a universidade mais atrativa a um público mais diverso.
  • Necessidade de firmar parcerias com associações e/ou entidades do entorno dos campi, que trabalhem com pessoas com algum tipo de deficiência e/ou questões relacionadas à inclusão e acessibilidade, visando fortalecer vínculos com a comunidade próxima.
  • Necessidade de realização de palestras, rodas de conversa, oficinas, cursos, etc. abordando essa temática (para sensibilizar, instrumentalizar, capacitar, etc.).
    Necessidade de melhor organização do espaço dos restaurantes.
  • Necessidade de mais proximidade com os projetos arquitetônicos, para necessários ajustes nos mesmos.
  • Adaptação das edificações mais antigas, visando acessibilidade.
  • Receio de um aumento muito grande de estudantes com algum tipo de deficiência, em função da falta de infraestrutura dos campi, para essa possível maior demanda.
  • Necessidade de elevadores e de manutenção adequada, para mantê-los em funcionamento contínuo.
  • Necessidade de uso adequado dos elevadores, evitando utilizações outras, que acabem por ocupar o elevador e deixa-lo parado por muito tempo.
  • Quantidade muito grande de rampas e escadas. Necessidade de uma cultura inclusiva.
  • Necessidade de bibliotecas e acervos acessíveis para pessoas com deficiência auditiva, física e visual.
  • Necessidade de adaptação de material para pessoas com deficiência auditiva e visual.
  • Necessidade de leitores de tela nos computadores da Universidade.
  • Necessidade de mais investimentos na formação continuada do corpo docente acerca de questões pedagógicas relacionadas à acessibilidade e inclusão do estudante com algum tipo de deficiência (disponibilização de materiais, instrumentos de avaliação, etc.).
  • Necessidade de, em sala de aula, atentar-se às necessidades especiais dos estudantes com mobilidade reduzida e/ou algum tipo de deficiência, inclusive, em relação às deficiências não tão explícitas.
  • Cuidado para evitar exposição e constrangimento dos estudantes com necessidades educativas especiais.
  • Necessidade de mais cursos de capacitação.
  • Necessidade de cursos nas férias ou em horários que favoreçam a participação de estudantes com ou sem algum tipo de deficiência.
  • Necessidade de atentar-se aos aspectos físicos e atitudinais relacionados à acessibilidade e inclusão.
  • Necessidade de conscientização e fortalecimento das relações.
  • Necessidade da confecção de um manual para a convivência com a diversidade e práticas inclusivas.
  • Necessidade de piso tátil e cuidados adequados com a conservação do mesmo.
  • Necessidade de mais sinalização nos campi.
  • Necessidade de informativos para pessoas com deficiência visual.
  • Necessidade de atentar-se ao acesso às salas de aula, aos laboratórios, etc.
  • Necessidade de atentar-se ao mobiliário das salas de aula e laboratórios (mesas, cadeiras, bancadas, etc.).
  • Necessidade de atentar-se para a localização das salas de aula, onde docentes e/ou estudantes com mobilidade reduzida e/ou algum tipo de deficiência serão alocados, tomando o cuidado de deixar registrado, para favorecer futuras alocações.
  • Necessidade de atentar-se às questões relacionadas ao acesso aos campi (o entorno como calçadas, rampas, acessos de entrada, etc.).
  • Necessidade de intérpretes nas secretarias.
  • Criação de grupo consultivo e propositivo para trabalhar questões relacionadas à acessibilidade e inclusão.
  • Criação de um setor responsável pelo acolhimento e acompanhamento de estudantes e servidores com mobilidade reduzida e/ou algum tipo de deficiência.
  • Necessidades de mais intérpretes de Libras.
  • Necessidade de programas de acesso à universidade, voltados para estudantes com algum tipo de deficiência.
  • Apoio no processo seletivo.
  • Detectar demandas de estudantes e servidores com necessidades especiais. Construir política com a participação da comunidade.
  • Visar à predisposição ao acolhimento e a universalização dos espaços, informações, etc., evitando adaptações emergenciais.

Conteúdo trabalho no Papo inclusivo:  Contextualização Histórica –Concepções de inclusão

Ao longo dos tempos as sociedades e suas culturas vêm transformando-se e transformando o mundo em que se inserem; são novos conceitos, concepções e paradigmas que moldam e norteiam nossa “evolução”.
Face aos avanços, retrocessos e sobreposições, nossas inter-relações, relações interpessoais e nossa visão de mundo vão sendo modificadas.
Inseridos nessa dinâmica evolutiva, as concepções acerca das pessoas com deficiência, também vem se modificando,

Nas sociedades primitivas, as pessoas com deficiência eram sumariamente abandonadas e mortas; o infanticídio era uma prática comum.
Acreditava-se que essa criança com deficiência poderia ter pacto com os espíritos malignos, sendo um sinal claro de castigo, tanto para seus pais, quanto para a sua tribo.
Já na Antiguidade, as pessoas com deficiência eram abandonadas e eliminadas. Fosse em Atenas ou em Esparta, os recém-nascidos que não estivessem de acordo com os padrões gregos convencionados, deveriam ser descartados.
No Império Romano, aceitava-se a prática do descarte, assim como, Cegar pessoas que cometiam crimes era uma forma de vingança e de punição muito comum.
Com a ascensão do Cristianismo, as pessoas com deficiência passaram a ser vistas como “cordeiros de Deus que vieram tirar os pecados do mundo” e cabia aos servos de Deus mais afortunados, terem uma atitude piedosa com os mesmos.

Foi no Renascentismo, que aos poucos essa visão supersticiosa foi sendo modificada, sendo enfatizada uma abordagem mais clínica e médica, que propiciou os primeiros atendimentos as pessoas com deficiência.
Avançando um pouco mais no tempo, o modelo de escola segregacionista foi marcante, foi o início de um período, aonde a segregação e o atendimento exclusivo as pessoas com deficiência viriam a ser difundidos e adotados como padrão.
A fase seguinte, foi a da normatização e da integração, passando a ser a tônica quando do atendimento as pessoas com deficiência. Ao longo das décadas de
60 e 70, o ideal era integrar essas pessoas, de modo que as mesmas pudessem se adaptar às convenções de uma sociedade posta e acabada.
Foi só a partir da década de 90, com a Conferência Mundial de Educação para Todos e com a Declaração de Salamanca, que o atual paradigma de inclusão começou a ser preconizado.
Nessa concepção de inclusão entende-se que todos são corresponsáveis pelo acolhimento à diversidade, pela promoção da equidade, da equiparação de oportunidades, de modo a permitir a todos, sem exclusões e ou condicionamentos, o acesso à saúde, à educação, ao trabalho, aos serviços, ao lazer e a participação plena na sociedade.
De certo modo todas essas concepções ainda estão presentes nos tempos atuais.
Um olhar atento, permite a identificação dessas concepções, seja em discursos, ações, políticas, etc.
A UNIFESP estaria adotando qual dessas concepções, quanto às questões relacionadas à acessibilidade e inclusão?
Onde estamos? O que queremos?

O que precisamos para implantar uma política inclusiva mais efetiva na UNIFESP?

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